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Entrevistas
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Leonardo Azevedo
Técnico |
| “O técnico vive a vida do jogador” |
| Leonardo Azevedo, um dos técnicos mais respeitados do Brasil, mudou-se no início de maio para os Estados Unidos a fim de trabalhar na USTA, a Federação Norte-Americana de Tênis, a convite do espanhol Jose Higueras, ex-treinador de Roger Federer. Nesta entrevista exclusiva ao Tênis Show, concedida dias antes da viagem, Léo Azevedo fala do novo desafio. Confira os principais trechos: |
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Qual o significado deste convite para trabalhar na USTA, a federação americana de tênis?
É um desafio. É também um motivo de orgulho, pois fui indicado por um técnico espanhol, o Jose Higueras, um dos principais treinadores do mundo. É um desafio muito importante para a minha carreira.
Quais serão as tuas atribuições?
O Higueras foi contratado para comandar a federação norte-americana. E ele quer introduzir mais “saibro” no tênis americano, trabalhar mais com os conceitos que envolvem jogar no saibro, que os jogadores novos aprendam a jogar melhor no saibro, que possam disputar mais torneios no saibro. E ele queria levar treinadores que passassem estes conceitos tanto para os treinadores de lá como para os jogadores. A idéia era levar dois técnicos. Eu sou um desses. Então, esta será a minha atribuição: levar o conceito do saibro para eles. Eles querem desenvolver um projeto que acrescente ao que os americanos já têm de bom que é jogar nas quadras rápidas.
Ao fazer uma retrospectiva do teu trabalho nestes últimos tempos, o que tu destacarias?
Em 2003, eu fui para a Academia do Ferrero (Juan Carlos Ferrero), na Espanha. Depois, comecei a trabalhar com o Guillermo Garcia-Lopez, que chegou a 70 do mundo. Depois, trabalhei com o Ricardo Mello, que ganhou dois challengers. Depois, com o Flávio Saretta, que ganhou o Pan-Americano no Rio, chegou a 100 do mundo. No final de 2007, peguei o Thomaz Bellucci, que estava em 235 e fui com ele até novembro do ano passado. Ele chegou a número 65 do mundo. E, agora, antes do convite da USTA, estava trabalhando com o Caio Zampieri. Comecei com ele em janeiro. Para mim, também foi importante ter ido aos Jogos Olímpicos em Pequim (como chefe de delegação do tênis brasileiro), em 2008.
Como é o teu trabalho como técnico de um tenista profissional? Qual é a característica do teu trabalho?
Eu gosto muito de trabalhar a parte mental do jogador. Eu acho muito importante que o jogador acredite no trabalho que está fazendo. Muitas vezes, a gente desenvolve um trabalho pensando mais para frente. Se o jogador não tem uma cabeça boa para entender isso, se não tem confiança... O tênis é um esporte no qual, toda a semana, se perde. O cara ganha três, quatro semanas por ano. Nas demais, perde. A frustração está sempre presente. Por isso, gosto muito de motivar os meus jogadores com frases, com palavras. Gosto de passar livros para eles lerem.
E na quadra?
Na quadra, o meu trabalho prioriza a tática. Existem muitos jogadores que sabem bater bem na bola, mas não sabem jogar bem tênis. Por isso, esta questão tática é importante. Gosto de ter um jogador que saiba o que está fazendo no jogo, que saiba as armas que tem, que saiba quando deve usá-las, que saiba os defeitos que tem, que saiba explorar os defeitos dos outros. Esta parte tática é importante e eu gosto de trabalhá-la.
Tu disseste que gostas de motivar os teus jogadores. E como tu te motivas para enfrentar o circuito profissional?
Na verdade, o treinador vive a vida do jogador. Se eu consigo manter o meu jogador motivado, eu me mantenho motivado. E se você está motivado, consegue motivar o seu jogador. É quase que a história da galinha e do ovo, quem nasceu primeiro? Se você consegue motivar o jogador, isso gera uma hipermotivação para o teu trabalho. E tem também aquele aspecto de fazer o seu melhor, de buscar o seu sonho. Todo mundo tem os seus sonhos profissionais, e eu também tenho os meus. Se eu não estiver motivado, os meus sonhos não vão acontecer.
Qual é o teu maior sonho como técnico?
Um dos sonhos que eu tinha, realizei. Era ir para uma Olimpíada. O meu grande sonho como técnico? Ganhar um Grand Slam é um sonho. Estabelecer uma relação com um jogador, não precisa nem ser número 1, mas Top, como foi a relação Larri-Guga, Nadal e o seu tio. Uma relação de 10 anos com um jogador Top, na qual você realmente participe da carreira dele, e não ficar um ano com um, dois anos com outro. Acho que é isso.
Um dos teus sonhos era participar dos Jogos Olímpicos. O que mais te chamou atenção ao ir para Pequim?
A primeira coisa que me chamou atenção foi que, lá, todo mundo é igual. Coby Bryan, Federer, o cara do atletismo. Todo mundo é igual. E a segunda coisa foi observar como os outros se comportam às véspera de uma competição. Nós estávamos no mesmo prédio que o pessoal do vôlei, do judô, do Diego Hipólito (ginástica artística). Foi possível ver como se comportam diante da frustração, diante do sucesso. Você tem um cenário muito grande para observar. No circuito do tênis, a gente acaba já sabendo que aquele faz de um jeito, o outro, do outro. Para quem se interessou, foi um cenário de aprendizagem muito grande.
A tua ida para os Estados Unidos interrompe o trabalho que começaste com o Caio Zampieri, não?
Eu estava muito contente com o trabalho que estávamos fazendo. Mas, realmente, recebi uma proposta que não poderia recusar. E o Caio entendeu isso, e me liberou. Era uma proposta boa e desafiadora. Eu gosto de desafios e decidi aceitá-la. |
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| Cláudia Coutinho - Tênis Show |
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