Nanda, desde o ano passado, tu já és a tenista que mais defendeu o Brasil na Fed Cup, com o total de 38 participações. Para ti, o que significa representar o teu país em uma competição como essa? É superimportante. É sempre muito bom ser convocada para defender o Brasil na Fed Cup. É sempre bom poder ajudar. A Fed Cup é um torneio muito difícil e bem competitivo. Nós vamos disputar o Grupo 1 da Zona Americana, que reúne oito países, tem jogadoras que estão entre as Top 100 do mundo. É uma competição forte. Mas nós também temos uma boa equipe, um grupo homogêneo e temos condições de brigar de frente com todas essas equipes.
O objetivo de vocês é chegar à final do Grupo e buscar a vaga no Play-Off? Exato. Somente uma equipe entre essas oito se classifica para o play-off. Assim, o nosso primeiro objetivo é chegar a final e, estando lá, vencer para conquistar a vaga. Quem chega à final, com certeza, tem chances de ganhar. Na nossa equipe, todas têm condições de jogar a simples e contamos com uma dupla forte. Vamos disputar a Fed Cup pensando nesta vaga.
Nanda, tu fizeste a tua pré-temporada nos Estados Unidos. Como tu estás vendo o teu tênis neste início de ano? Foi uma boa pré-temporada. Durante todo o tempo em que passei nos Estados Unidos, aproveitei bem os treinamentos e já participei de dois torneios, o que me deu ritmo de jogo e também aquele clima de torneio. Até algumas das tenistas que vão participar da Fed Cup também participaram desses torneios e, portanto, deu para ver como elas estão. Eu aproveitei bem. Estou jogando bem.
Quais as tuas perspectivas para este primeiro semestre de 2010? Logo depois da Fed Cup, eu vou disputar quatro torneios, dois na Colômbia e dois no México. São torneios grandes. Hoje, o meu ranking em simples é número 259 e em duplas, 151. Quero, então, focar bem nas simples. Meu objetivo é terminar o ano muito próxima das Top 100, perto da classificação de número 110. Quero ficar ali, muito perto das melhores, para, no ano que vem, jogar os Grand Slam.
Como tu estás vendo o retorno de Justine Henin e Kim Clijsters, duas grandes jogadoras, para o circuito mundial? São grandes tenistas, já conquistaram grandes resultados antes de pararem de disputar o circuito mundial, por opção, por questões pessoais. Agora, voltaram e já estão com ótimos resultados. A Kim Clijsters conquistou o Aberto dos Estados Unidos no ano passado, e a Justine chegou à final do Aberto da Austrália. São jogadoras experientes e de altíssimo nível. Mesmo ficando afastadas por um tempo, retornam e já recuperam o ritmo e voltam para o lugar onde estavam antes. São jogadoras que muito acrescentam ao circuito feminino.
Nanda, tu já estás no circuito mundial há cerca de 11 anos. O que te motiva a permanecer nesta rotina de treinos, jogos, viagens, hotéis e aviões? Primeiro de tudo: eu gosto muito do que faço. Eu gosto muito de jogar, gosto de competir, gosto de viajar. Então o que me motiva é a própria vontade de continuar. Além disso, eu tenho objetivos para conquistar.
Entrar para o grupo das Top 100? Isso. Eu vejo que posso chegar lá. No Aberto da Austrália, eu assisti a jogos de meninas que jogam comigo e vi que eu também posso chegar lá. Então é ir à luta.
Em entrevista com o teu pai (o técnico Carlos Alves), eu perguntei o que significava o fato de entre as 15 brasileiras mais bem classificadas no ranking mundial, apenas três estavam acima dos 21 anos de idade. Faço a mesma pergunta para ti. Isso pode ser sinal de que o tênis feminino no Brasil está tomando um fôlego? Acho que sim. Deve estar sendo feito um trabalho de base. É desta trabalho de base que irá surgir boas jogadoras. Não tem outra saída: um bom trabalho de base para se buscar as boas jogadoras, passar pela fase difícil que é entrar no circuito profissional. É importante também que, quando no profissional, elas vão poder jogar juntas e por mais tempo. Até porque a média de idade no circuito profissional é cada vez maior. Jogadoras com 26 anos, com 28 anos, e até mais, continuam disputando torneios e entre as melhores. Este é o caminho. |