Chico, gostaria que tu fizesses um balanço do teu trabalho frente à equipe brasileira da Copa Davis de Tênis em 2009. Como bem escrevesse em teu blog, desde 2003, o Brasil nunca esteve tão perde de subir ao Grupo Mundial. Qual o balanço que fazes?
Em termos de Copa Davis, foi um ano um pouco diferente dos anteriores. Em 2007 e em 2008, jogamos em casa como favoritos e depois tivemos que ir à Europa como franco-atiradores. Em 2009, tivemos dois confrontos muito equilibrados, duas batalhas. No quesito resultado, não conseguimos nosso objetivo, que era o Grupo Mundial. Mas as vivências foram extremamente valiosas. Aprendemos muito, tanto na Colômbia, como em Porto Alegre. O nível geral dos nossos jogadores está melhorando e vamos ficar cada vez mais fortes como equipe.
Ao fazer o retrospecto do Brasil na Davis em 2009, quais as principais lições que tu tiras como capitão do time?
Cada partida de cada confronto nos traz novos desafios que são únicos, que exigem de todos na equipe uma série de qualidades e virtudes. Mas o tênis brasileiro, de um modo geral, ainda precisa melhorar muito nos quesitos organização e planejamento.
Em 2010, na Davis, o Brasil jogará em maio contra o vencedor de Uruguai x República Dominicana, valendo vaga para o playoff do Grupo Mundial. Quais são os planos de preparação para este confronto?
Vamos continuar fazendo as coisas conforme acreditamos. Primeiro, nossos jogadores têm que se preparar bem para dar o máximo no circuito. Começar a temporada com tudo. Depois, temos que esperar o vencedor desse jogo para saber se jogamos em casa ou fora, e em que piso. A partir daí, começamos a trabalhar de uma forma mais específica.
Tu continuas no comando da equipe em 2010?
Hoje, ainda estou capitão e espero continuar em 2010.
Te incomoda o fato de o Guga ter declarado que gostaria de um dia, mas não agora, estar à frente da equipe da Davis? É uma sombra ao teu trabalho?
Guga faz parte desta equipe. No primeiro ano, ele ainda jogava e nos ajudou muito, principalmente fora da quadra. Hoje, ele não joga mais, mas sabe que é sempre bem-vindo. Em Porto Alegre, ele veio e colaborou. As portas estão sempre abertas, tanto para ele como para o Thomaz (Thomaz Koch). Quanto a ele ser capitão um dia, acho ótimo. Quando tivermos um time realmente capaz de ser campeão da Davis, ninguém melhor do que um ídolo como o Guga para comandá-lo.
Como técnico, quais são os teus principais desafios para 2010? Tu estabeleces metas em função de ranking dos teus jogadores?
Por causa da crise econômica, 2009 foi um ano bastante complicado para o Instituto Tênis. Perdemos patrocinadores importantes e os atletas tiveram que viajar sozinhos. Dois deles, o Rafael Camilo e o Nicolas Santos, acabaram deixando a equipe no meio da temporada. O Rafa saiu em maio, o Nicolas, em agosto. A Teliana (Teliana Pereira) passou o ano inteiro com problemas físicos e terá de começar 2010 praticamente do zero. Já os que ficaram tiveram um bom ano. Bonatto (Alexandre Bonatto) subiu quase 200 posições. Amadureceu bastante. O Zé Pereira mesclou juvenil e profissional e também conseguiu alguns bons resultados. A expectativa para o ano que vem é a melhor possível. A situação financeira do IT já está bem melhor. A meta para o Bonatto é se afirmar no nível de challengers, jogar os qualis dos Grand Slam e beliscar alguns ATP. Se ele terminar o ano no top-200, estaremos satisfeitos. Já o Zé ainda tem muito a aprender e a amadurecer nos futures. Será sua primeira temporada como profissional. Um lugar no top-500 e um padrão definido de jogo no final do ano estarão de bom tamanho.
No teu blog, fizeste projeções para os principais nomes do tênis brasileiro no momento. Quais as tuas expectativas em relação ao trabalho que vem sendo realizado na base, no tênis de formação e no tênis infanto-juvenil?
Infelizmente, em pouquíssimos lugares se faz um bom trabalho de base. Uma das metas do Instituto Tênis é consolidar e fortalecer o trabalho de formação de tenistas nos clubes que são parceiros. O Pinheiros, de São Paulo, por exemplo, já começou a render bons frutos. A tendência é melhorar.
O Rio de Janeiro será sede dos Jogos Olímpicos de 2016. A expectativa é de que este fato alavanque o esporte brasileiro não somente no Rio, mas também nos demais estados. Como achas que o tênis brasileiro pode se preparar para obter ganhos com o evento olímpico?
Os Jogos no Brasil oferecem uma oportunidade única para que o brasileiro aprenda a trabalhar visando também o longo prazo. Somos bons de improviso, mas nossa visão tem pouco alcance. E, todos sabemos, que não se constrói nada da noite para o dia. |