Entrevistas


Marcelo Ruschel - POA Press / Arquivo
Franco Ferreiro na Davis
Franco Ferreiro
Tenista
"Estou jogando o melhor tênis que eu já joguei"
O tenista brasileiro Franco Ferreiro, 25 anos, está na Europa disputando uma série de torneios challengers. Antes de viajar, porém, concedeu entrevista exclusiva ao Tênis Show, em um dos intervalos nos treinos realizados no Clube Farrapos. Falou sobre o bom momento de sua carreira. No primeiro semestre deste ano, estreou na Copa Davis de Tênis, marcando um dos pontos na vitória sobre a Colômbia, e também fez seu primeiro jogo na chave principal de Roland Garros. Acompanhe os principais trechos da entrevista deste gaúcho de Uruguaiana, que ocupa o 219º lugar no ranking mundial:
 

Qual o principal objetivo desta série de torneios que realizas na Europa?

A idéia é seguir na mesma trajetória dos últimos torneios que realizei. Eu vinha jogando bem, ganhei bons jogos. A intenção é esta: dar continuidade e aproveitar, até porque são torneios duros e se consegue ganhar um pouco mais de ritmo.

Como foi a experiência de participar pela primeira vez de um torneio de Grand Slam? Depois de passar pelo torneio qualificatório, perdeste para o espanhol Feliciano Lopez em uma partida decidida no quinto set e com duração de mais de quatro horas.

Foi uma experiência nova. Nunca tinha entrado no Grand Slam. Tive jogos bem duros no qualifying. Minha segunda rodada foi bem difícil. Tive a ponto de perder, mas me mantive tranquilo e consegui virar o jogo. Na última rodada, também foi um jogo de nervos. E passei. Depois disso, a idéia era aproveitar ao máximo. Sabia que o jogo contra o Lopez seria duro, mas ao mesmo tempo um jogo bom. Foi bem disputado. Tive chances nos dois primeiros sets, que ganhei. Tive chances no tie break do terceiro set, mas ele arriscou duas, três bolas e se deu bem. Depois, ele começou a sacar muito bem. Fazia dois, três aces por game. Ficou difícil quebrá-lo. E ele continuou arriscando bastante. Mas mostrei que posso jogar de igual para igual com qualquer um.

Tu já és um jogador com experiência no circuito. Mas o fato de estrear em um Grand Slam chega a mexer com o lado emocional? Dá um certo nervosismo?

Com certeza. Ainda mais em Roland Garros, que é um torneio legal, um piso que eu gosto. Eu assisto a este torneio desde que tenho 10 anos de idade. Estar ali, jogando, ganhando três jogos no quali. É claro que mexe. Mas isso também te ajuda a dar o teu melhor.

Neste ano, tu também estreaste em jogos de Copa Davis, defendendo o Brasil contra a Colômbia em Tunja. Este primeiro semestre está sendo bem marcante para ti, não?

Foi bom. Começou no ATP em Buenos Aires, onde passei o quali e alcancei as quartas-de-final. Fiz um jogo que tinha condições de ganhar do Robredo (oespanhol Tommy Robredo). Perdi no detalhe. Estou perdendo os jogos nos detalhes. Depois veio a Copa Davis, que nunca havia jogado. Disseram que eu não daria certo, que iria sentir a pressão, que não conseguiria jogar, que era um ponto negativo. Tapei a boca de todo mundo.

E foi um confronto muito difícil, não somente pelos jogos, mas também pela estrutura oferecida?

Marcava cinco graus, e a gente não tinha água quente para tomar banho. A quadra ficou pronta um dia antes de começar o confronto. Não dava para treinar direito. A gente treinava em outra quadra. Foi ruim. Mas todo mundo que participou ficou na sua. Nós ficamos tranquilos. E ganhamos. Cada um deu o seu melhor. O Bellucci teve um jogo complicado na primeira partida e venceu.

O espírito de equipe funcionou?

O João (o técnico João Zwetsch), o Chico (o capitão Chico Costa), enfim, todo mundo da equipe me deixou bastante tranquilo. Disseram para mim: “vai lá, faz o teu, a gente acredita em ti”. E foi assim. Fiz um bom jogo e contra um cara que joga bem.

E o teu jogo contra o Santiago Giraldo só foi terminar no dia seguinte.

No segundo dia do jogo, eu comecei sacando 5 a 5. Não é a mesma coisa que sacar 0 a 0. Tinha muito barulho da torcida, e a gente não conseguia aquecer direito. Mas consegui ganhar, fazendo três sets a um. A dupla também teve uma partida complicada. O Marcelo e o André (Marcelo Melo e André Sá) usaram de toda a experiência para vencer e fazer 3 a 0.

E os jogos da Copa Davis contra o Equador em Porto Alegre? Já conversaste com o Chico Costa?

Eu fui chamado uma vez e dei o meu melhor. Todas as vezes que me chamaram para treinar, como na Croácia, eu vou e faço o que tem que fazer. Acho que o difícil era estrear. Já estreei e acho que todos ficaram satisfeitos. Eu fiquei muito satisfeito com a minha atuação. E estou pronto. Estou querendo jogar, ainda mais que é em Porto Alegre. Estou vivendo um momento legal. Eu diria que estou jogando o melhor tênis que eu já joguei. Então, é esperar.

O confronto entre Brasil e Equador é equilibrado. Será um confronto difícil.

É um confronto duro. Mas, ao mesmo tempo, é um bom jogo para a gente passar novamente para o Grupo Mundial. Jogando em casa, com o piso que a gente gosta.

O público gaúcho tem um bom conhecimento de tênis. Isto pode se reverter em vantagem nos jogos em Porto Alegre?

Com certeza. O pessoal que for assistir aos jogos tem que ajudar 100 por cento, 200 por cento. São jogos de cinco sets. Todos vão ter momentos bons, momentos ruins. A galera tem que estar junto, dando força. Faz muita diferença. Tu consegues reverter qualquer situação tendo este apoio. É diferente do que jogar fora de casa.

O teu calendário depois destes challengers na Europa já está definido? Tem o qualifying do Aberto dos Estados Unidos em agosto.

Eu planejo ir para o Aberto dos Estados Unidos e depois devo fazer o circuito na América do Sul. Estou procurando mesclar os quali de torneios maiores com os challengers. Neste ano, eu até joguei melhor os grandes do que os challengers.
 
Cláudia Coutinho - Tênis Show
   
 
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