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11/01/2010
Planejando a carreira de uma tenista de bom nível

Mesmo estando afastada há dois anos e meio de viagens internacionais com equipe juvenis por causa do nascimento do meu filho, sigo acompanhando o ranking ITF e o ranking Cosat (14 e 16 anos) e confesso que me chamou a atenção as listas de entrada das duas primeiras etapas do Circuito Cosat (Venezuela e Colômbia) pelo pequeno número de meninas brasileiras inscritas. Na Venezuela, tivemos uma menina nos 14 e quatro nos 18. Na Colômbia, um pouco melhor, três nos 14, duas nos 16 e quatro na chave do quali de 18 (já ITF).

Pode ser que a maioria opte pela “parte de baixo” do Circuito Cosat (Chile, Argentina, Paraguai, Banana, Gerdau e Uruguai) pelo lado financeiro, mas correndo o risco que as chaves de 14 e 16 sejam mais duras que das etapas de cima, ao contrário do que ocorre nos 18 (ITF), onde as primeiras etapas são as mais duras, juntamente com Paraguai, Banana e Gerdau (Grupos 1 e A ITF).

Minha experiência com tênis feminino durante os últimos 10 anos de viagens mostra que a categoria 16 tende a desaparecer, pois o nível técnico está cada vez mais baixo e com menor número de jogadoras. Europa, Estados Unidos e Ásia (principalmente a China) já não colocam suas melhores jogadoras nesta categoria há anos. As meninas desses países com 12, 13 e 14 anos jogam até 14 e, no ano que completam 15, jogam diretamente torneios ITF (até 18 anos), mesclando com Futures, sempre dentro das regras de elegibilidade da WTA.

Se quisermos meninas mais competitivas, estas visões “mais ousadas” são essenciais. Experiência internacional também é vital. Jogar, treinar e estar na mesma rotina de jogadoras de alto nível ajuda muito no amadurecimento, na mudança de conceitos táticos e no discernimento do quanto se precisa trabalhar para se alcançar um bom tênis.

A própria Cosat (Confederação Sul-Americana de Tênis), com aporte financeiro da ITF, já fez importantíssimas mudanças nos critérios de convocação para as equipes que disputam a Gira Européia. Focando nas categorias de 14 e 18 (ITF), tanto que as convocadas nos 14 serão seis, mantendo-se o mesmo número dos outros anos, mas o diferencial será a convocação de seis meninas menores de 16 anos que estejam entre as 300 do ranking ITF para jogarem torneios ITF no norte da África.

Por outro lado, somente duas meninas serão selecionadas para a Gira Européia de 16 anos. Isto forçará uma mudança de planejamento de calendário e torço muito para que os treinadores de meninas brasileiras que almejam um futuro profissional olhem com carinho os 18 anos quando suas jogadoras saírem dos 14. Esta visão da Cosat é importantíssima para o futuro do tênis feminino sul-americano.

Para finalizar, parabenizo a CBT por meio do seu Departamento de Capacitação e de seu diretor César Kist pela introdução do “Tênis 10s” no Brasil. Com certeza, sairão mais meninas deste programa da ITF que tem tudo para trazer grandes alegrias ao tênis brasileiro.

Sabrina Giusto

Sabrina Giusto, ex-tenista profissional, capacitadora do Departamento de Capacitação da Confederação Brasileira de Tênis (CBT) e coordenadora da SmSTênis/Sogipa.

 
   
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