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28/09/2009
Ela está de volta

Quem tinha dúvidas? Eu não. A minha aposta era de que em um ou dois anos, ela anunciaria seu retorno. Justin Henin fez exatamente isso essa semana. Os rumores de sua volta já vinham por algum tempo e aumentaram durante o US Open, em razão da surpreendente performance da belga Kim Clijsters, que merecidamente venceu a competição. Desde que Justine se “aposentou”, em maio do ano passado, com 25 anos e no topo do ranking, o tênis feminino ficou sem graça. Concordo que uma tenista dominando sempre pode ser às vezes cansativo, mas não quando se trata de alguém como a belga. No entanto, como infelizmente as mulheres apresentam muitas irregularidades, a briga pela posição de número 1 a partir de Roland Garros 2008, mais do que mostrar uma forte disputa, acabou por sobressaltar falhas. Primeiro Maria Sharapova tentou e não manteve nem por duas semanas. Depois Ana Ivanovic alcançou o topo com o título francês, só para em seguida decepcionar em Wimbledon. Aí foi a outra sérvia, Jelena Jankovic que assumiu e logo perdeu. Foi então que uma promissora russa, Dinara Safina apareceu. Promissora até o momento que virou número 1. A partir dali, o talento desapareceu e o que se vê nos seus jogos é uma tremenda instabilidade. Nada disso acontecia com Justine. Ninguém questionava seu status. Alguém poderia até não ser fã de seu estilo, mas questionar? Nunca. Assim como Roger Federer na liderança. Mesmo quando o suíço caiu para número 2, sendo ultrapassado pelo fantástico Rafael Nadal, todo mundo concordava que o cara continuava sendo genial – a final de contas não dá para vencer tudo sempre, ainda mais com o passar dos anos e com o surgimento de novas potências. Mas voltando para Justine, o fato é que velhos hábitos não se perdem. Quando ela disse que estava se aposentando alegou que o tênis estava na sua vida desde a infância e que estava cansada. Mas o mesmo motivo justificaria sua volta. Algo que nos segue desde a infância, dificilmente é fácil de largar. Com certeza a paixão pelo esporte e pela adrenalina de competir a fez voltar. No jornalismo, é costume ouvir que “rádio é uma cachaça”, ou seja, quem trabalha em rádio uma vez, não consegue se livrar. Tênis é a “cachaça” de Justine. No entanto, não podemos ignorar um fato importantíssimo. Essa tenista vencia tudo, e isso significava gordos cheques de milhões de dólares sendo depositados em sua conta semanalmente. Por mais dinheiro que ela tivesse quando se aposentou, a quebra dessa rotina bancária certamente também foi motivo de estranhamento. E não me levem a mal, não estou criticando de maneira alguma. Todos nós sentimos a mesma coisa com os nossos dignos salários. Então é normal que o mesmo acontecesse com ela. Por fim, não dá para deixar de lado a famosa rivalidade entre Justine e Kim. As duas nunca foram grandes amigas e, pelo contrário, constantemente trocavam críticas sutis, já que competiam desde crianças – e todos sabem que crianças brigam entre si. No entanto, aparentemente, isso tudo está no passado. Ambas com 26 anos, adotam uma postura mais adulta e profissioanl. Justine, inclusive, escreveu uma nota carinhosa em seu site congratulando Kim por sua conquista no US Open. Mas para quem gosta de ler nas entrelinhas, o recado é: Parabéns, mas eu estou de volta! Que ótimo!

Marcela Mourão
Marcela Mourão é jornalista e mestranda em Sport Management na Universidade de San Francisco, Estados Unidos.
 
   
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