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19/08/2009
Todos ao Gigantinho!

Durante quase 13 anos, o tênis simplesmente não existiu em minha vida. Então, em um domingo qualquer das férias de verão, meu pai me convidou para jogar. Não fui. Meu irmão, Fernando, foi. Na volta, era só tênis pra cá, tênis pra lá. No domingo seguinte, ele me convidou outra vez, e eu acabei indo, sem imaginar que aquela simples atitude mudaria minha vida para sempre.

Tenho que confessar que minha primeira impressão não foi das melhores. Que esporte difícil! Quadra grande, raquete pesada, bola ligeira. Hoje em dia, é claro, tudo isso mudou. Já existe material apropriado para iniciantes. Nosso objetivo era brincar e não, exatamente, aprender a jogar tênis.

Com a volta às aulas, a tendência natural era que o tênis ficasse de lado. Ou, talvez, que eu virasse um “tenista de fim-de-semana”, como aqueles garotos que saiam da piscina e iam direto para a quadra, molhados, de chinelo, algo que era tão comum no União, naquela época.

Mas, logo em abril, o destino me pregou uma peça. A Leopoldina Juvenil sediava um torneio challenger, a Copa Bradesco, com a presença de alguns dos melhores tenistas do Brasil – parece mentira, mas aquele foi o último challenger realizado em Porto Alegre, há mais de 23 anos.

Naquela época, eu nem sabia o que era um torneio de tênis. Aliás, eu nunca havia visto alguém jogar bem tênis. Minha única referência eram os sócios do União, os que calçavam tênis antes de entrar na quadra e que, talvez por isso, preferiam jogar lá embaixo, nas quadras de saibro, deixando as de cimento para o pessoal da piscina.

Pois bem, depois de alguma insistência do meu pai, saí da escola naquela segunda-feira e fui direto para o Juvenil, já que os jogos começavam em torno do meio-dia. O primeiro jogo que assisti em minha vida foi entre o gaúcho Marcos Hocevar e o peruano Di Laura. Depois, jogaram Eleutério Martins e Julio Góes. Moral da história: fiquei fascinado e passei todas as tardes daquela semana no Juvenil. Acompanhei o torneio inteiro, finalmente aprendi como funcionava o tal do ranking, o que era uma chave principal, um qualifying, etc...

Aquele torneio mudou a minha vida, pois, a partir dali, comecei a jogar tênis todos os dias. E meu sonho passou a ser um só: jogar um dia como aqueles caras.

Não demorou muito para que eu me matriculasse na escolinha da Sogipa, clube que, naquela época, valorizava o tênis de competição. E ali passei os próximos 10 anos de minha vida, onde sempre tive a oportunidade de conviver e de treinar com tenistas de alto nível.

No mundo inteiro é igual. Para uma criança, um adolescente, poder ver os profissionais de perto faz toda a diferença. Por isso, os clubes europeus fazem questão de preservar as competições interclubes, para garantir seu convívio com o tênis de alto nível.

Por isso, infelizmente, o tênis do nosso Estado caiu tanto a partir dos anos 90. Os clubes deixaram de valorizar os seus melhores jogadores, o Interclubes foi extinto do calendário, os torneios profissionais se tornaram uma raridade. Perdeu-se toda e qualquer referência. O tênis ficou reduzido a um simples negócio. Bom para alguns poucos, péssimo para a grande maioria, principalmente as crianças, que ficam impedidas de sonhar.

Quem não se lembra da Copa Rio Grande, que a cada ano reunia os melhores juvenis do estado em uma cidade diferente? Pois nem esse torneio sobreviveu à decadência dos clubes.

Felizmente, já se pode perceber que essa mentalidade está mudando. Que as pessoas, aos poucos, já estão começando a perceber que, sem a competição, qualquer clube tende a morrer, lenta e inevitavelmente.

A equação é simples: onde não há bons jogadores, não há juvenis motivados. Onde não há bons juvenis, não há crianças querendo aprender a jogar tênis. E onde não há crianças, não há vida. Então, os clubes precisam, sim, de bons jogadores para sobreviver.

Falando em bons jogadores, está chegando a hora. Depois de mais de uma década, a Copa Davis finalmente está voltando a Porto Alegre. Uma oportunidade única para que todos possam ver de perto o que o tênis brasileiro tem de melhor, e também empurrar nossos jogadores para uma vitória histórica, que nos conduzirá de volta à elite do tênis mundial.

Mas não vai ser nada fácil. Serão cinco jogos longos, difíceis, nervosos, sofridos. Vamos precisar muito do apoio da torcida, já que confrontos equilibrados como esse são decididos nos detalhes.

O palco não poderia ser mais apropriado: o Gigantinho, que já recebeu tanta gente importante e já sediou tantos eventos inesquecíveis.
O resultado, ninguém pode prever. Mas uma coisa é certa: nossa equipe vai lutar com todas as forças pela vitória e vai honrar a presença e o apoio de todos vocês.

Chico Costa

Aos 36 anos, o gaúcho Chico Costa é técnico do Instituto Tênis (IT).

 
   
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