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10/06/2008
Não mereceu nem o adversário ao chão

A derrota de Roger Federer perante o espanhol Rafael Nadal – pela terceira vez consecutiva em Roland Garros – é algo que merece ser avaliado sob vários prismas, dentre eles o técnico, o tático e, principalmente, o mental. A apatia de Federer, a presença de José Higueras como técnico do suíço e a comemoração comedida do espanhol nos trazem muitos elementos para refletir sobre o que aconteceu na final de domingo.

Haverá quem discorde dessa assertiva, mas a impressão que se tem é que Federer confia de tal forma em seu talento e suas conquistas nos últimos anos foram tão incríveis, que o suíço vem se descuidando do aspecto mental. Se a vitória é certa, o número 1 do mundo arrasa seu oponente; se o sucesso requer algum esforço, o tenista da Basiléia o faz na medida necessária; se a derrota parece certa, o pentacampeão de Wimbledon simplesmente aguarda o término da partida.

A presença de José Higueras como técnico especial de Roger Federer para o grande desafio no saibro de Roland Garros fez com que vários especialistas observassem certas mudanças em seu jogo, a exemplo de maior paciência para a troca de bolas, insistência nas curtinhas, dentre outros golpes mais característicos do piso lento. Pois todos esses sinais de adequação desapareceram na final de domingo, como se Federer e Higueras jamais tivessem trabalhado juntos. Antes mesmo de o jogo terminar, já rondava a mente do tenista da Basiléia algo que ele próprio diria algumas horas depois na entrevista coletiva: ‘Rafa está em outro nível’.

Como se tornou praxe na versão 2008 do Grand Slam francês, um Rafael Nadal constrangido foi cumprimentar o número 1 do mundo depois de um placar arrasador. Nadal, sempre emotivo e elétrico, nem sequer caiu no chão para liberar a adrelina de uma final de Roland Garros com o pentacampeão de Wimbledon. Uma partida pífia, indigna de uma final de major entre o número 1 e 2 do mundo do ranking de entradas da Associação dos Tenistas Profissionais. Parecia uma estréia com um tenista desconhecido que recebeu um wild card para pisar pela primeira vez na Philippe Chatrier.

Agora a pressão passa para o lado do suíço, uma vez que começa a temporada de grama e Federer tem o pentacampeonato de Wimbledon a defender. Nadal parece estar mais próximo do título de Wimbledon do que Roger Federer do título de Roland Garros, mas a superioridade do tenista da Basiléia – que vem diminuindo ano a ano – ainda parece ser suficiente para a conquista do major londrino. Isso se depender do talento técnico do número 1 do mundo, porque se formos analisar sob a ótica mental há uma boa possibilidade do espanhol de Palma de Mallorca vencer na grama.

Com essa atitude, se ameaçado mesmo em seu habitat natural, Roger Federer corre sério risco de ser derrotado na grama. Dependendo da combinação da chave, Nadal pode ser até ‘poupado’ desse desafio.

Artur Salles
Artur Salles Lisboa de Oliveira é jornalista, coordenador-geral da Revista Eletrônica Raciocínio Crítico, acompanha o circuito profissional de tênis desde novembro de 2003. e-mail: arturslo@hotmail.com
 
   
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