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24/03/2008
Copa Davis: uma visão construtiva

O Brasil se prepara para mais uma edição da Copa Davis, e é sempre útil aproveitarmos a oportunidade para uma reflexão sobre este evento e seu papel no tênis nacional. Primeiramente, é preciso que fique claro que a Davis é um evento público e pertence ao povo brasileiro, à toda comunidade tenística.
Ainda estão bem vivas na nossa memória algumas arbitrariedades cometidas em um passado nem tão distante, cujo principal objetivo era a perpetuação de uma situação "confortável" para um pequeno grupo de pessoas. Quase duas décadas jogadas na "lata do lixo". Depois vieram os anos "Guga" e agora inicia-se uma nova etapa, onde todos os coadjuvantes - CBT, comissão técnica, jogadores, patrocinadores - devem ter a noção exata da dupla função desse tradicional evento. Ganhar o confronto, tentar levar o Brasil o mais longe possível na competição, é muito importante, sem dúvida. Mas só isso não basta! É preciso também pensar na evolução do nosso tênis, no futuro da equipe. Durante toda uma história, pensou-se apenas na vitória e esqueceu-se o papel construtivo do evento.

Também por isso o tênis brasileiro nunca chegou a desenvolver seu enorme potencial, mesmo com as vitórias heróicas de Koch e Mandarino nos anos 60, de Guga mais recentemente. Esse "equívoco" não pertence apenas aos dirigentes, ele é fruto de toda uma cultura imediatista, onde o "fanatismo" pela vitória a qualquer preço acaba prejudicando conquistas a médio e longo prazo. Aliás, no mundo dos esportes é preciso ter os pés no chão, saber trabalhar em equipe, ser capaz de criticar e de ser criticado. Conviver com a crítica construtiva de maneira saudável é essencial em qualquer atividade, principalmente em um país como o nosso, cheio de problemas antigos e longe de ser um exemplo de "civilização".

Aproveitar-se das "falhas" de nosso sistema é uma prática freqüente em todas as áreas, do tênis à política. Os oportunistas são sempre os primeiros a encherem o peito e se dizerem "orgulhosos" de serem brasileiros. Claro, porque lhes convém que as coisas fiquem exatamente onde estão, em detrimento da grande maioria e dos resultados práticos.

O tênis é um esporte diferenciado exatamente por sua "complexidade". Ele exige técnica, concentração, paciência, investimento, sacrifício, dedicação constante e inteligência esportiva. Principalmente nos dias de hoje. Por isso, todos aqueles que têm o privilégio de participar de uma Copa Davis, do jogador ao torcedor, do dirigente ao jornalista, têm obrigação de oferecer o exemplo da educação, da luta, do sentimento correto de patriotismo, da seriedade e sabedoria para avaliar criticamente o que está bom e o que precisa melhorar. Esse é o verdadeiro amor ao esporte, esse é o verdadeiro orgulho de ser brasileiro. 

Dácio Campos
Tenista profissional nos anos 80 e integrante da equipe brasileira da Copa Davis de Tênis, Dácio Campos é comentarista da Sportv.
 
   
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