21/08/2007
O desafio de enfrentar a Áustria
Em fevereiro, quando assumimos o comando da Copa Davis e do tênis masculino do Brasil, a situação era absolutamente desanimadora e sem nenhuma perspectiva de melhora. Não haviam projetos, idéias e a imagem da CBT estava totalmente desgastada perante às pessoas. Enquanto Guga ensaiava mais uma volta às quadras, nossos jogadores estavam divididos em três grupos: os aparentemente acomodados, os descontentes ou "excluídos", e os jovens que não engrenavam. Em comum, apenas a má fase. Juntamente com os companheiros de comissão técnica Thomaz Koch e João Zwetsch, conversamos com todos, jogadores e técnicos, um a um, a fim de conhecer a opinião de cada e saber como ajudá-los. A situação era tão confusa que todos tinham algo a reclamar, muitos com razão, outros nem tanto.
Foi necessário então fazer uma mudança radical na estrutura da equipe, começar do zero, para que todos se sentissem parte de um todo, sem privilégios ou divisões. Em abril, para o confronto contra o Canadá, convocamos 14 jogadores, entre profissionais e juvenis. A estrutura permitia essa inovação e precisávamos integrá-los de alguma maneira. Apesar de muitos terem torcido o nariz, a experiência foi um sucesso. Não só vencemos o confronto com autoridade, como todos os demais objetivos foram alcançados. O primeiro passo estava dado.
A partir dali, demos início a projetos de apoio aos jogadores. Ajuda financeira para os 10 melhores do Brasil, auxílio técnico para outros 10 jovens de 18 a 22 anos, através da equipe permanente. Infelizmente, apenas o segundo grupo tem conseguido bons resultados. Desde a formação da equipe, alguns nomes já vêm se destacando, como o paulista Thomaz Bellucci que em três meses saltou mais de 300 posições no ranking e já se aproxima do top-200. O que tem faltado então para nossos principais jogadores? Na minha opinião, um calendário adequado, um planejamento a médio prazo, bons treinadores para acompanhá-los no duro circuito de challengers e ATPs e, principalmente, união entre eles. Ao invés de cada um fazer o próprio calendário, levar o próprio técnico, deveriam formar pequenas equipes. Assim diminuiriam os gastos, conseqüentemente a pressão, e trabalhariam juntos, um apoiando o outro, tornando assim as coisas um pouco menos complicadas. Uma questão de sobrevivência!
Agora em setembro, temos um grande desafio pela frente: enfrentar a Áustria fora de casa, valendo uma vaga no Grupo Mundial em 2008. Como era esperado, eles escolheram uma quadra rápida e coberta, situação a qual não estamos acostumados e onde colecionamos apenas derrotas. Isso sem falar na qualidade da equipe austríaca, que conta com quatro jogadores no top-100, liderados por Jurgen Melzer, número 35 da ATP, além de uma dupla fortíssima, formada pelo próprio Melzer e por Julian Knowle, ambos top-20 no ranking de duplas. Sem dúvida, vamos ter que superar nossos próprios limites, se quisermos ao menos equilibrar o confronto.
Por tudo isso, mudamos um pouco nossa estratégia: antecipamos a convocação para que os jogadores possam fazer uma preparação física especial e vamos reunir a equipe na semana anterior para treinos em quadras rápidas cobertas. E assim partir para a Áustria, com a certeza de que estamos fazendo tudo o que está ao nosso alcance para que possamos ter chances e aproveitá-las! Contando sempre com a torcida e o apoio de todos vocês!"
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Chico Costa |
Aos 36 anos, o gaúcho Chico Costa é técnico do Instituto Tênis (IT). |
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