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10/01/2008
O legado de Guga

Toda a imprensa especializada está convidada a participar da entrevista coletiva que Gustavo Kuerten dará na terça-feira do dia 15 de janeiro, em São Paulo, durante a Couromoda. Vai apresentar a coleção assinada em parceria com a Diadora e divulgar seu calendário e planos para 2008. Será o anúncio oficial de sua aposentadoria? Dirá que vai escolher poucos e significativos torneios para marcar a sua despedida do circuito profissional? Contará que vai jogar mais duplas do que simples, pois o seu quadril não suporta mais ser tão exigido? As respostas virão em breve.

Porém, independentemente de quais sejam, eu também me pergunto se o tênis brasileiro não deveria ter saído da mesmice a partir da bela trajetória construída por Guga e sua equipe. Ao conquistar o seu primeiro Roland Garros, em 1997, ainda garoto, e, depois, ao chegar ao tricampeonato do Aberto Francês e ao figurar, durante 43 semanas, como número 1 do mundo, Guga fez muito pelo tênis e pelo esporte brasileiro. E bota muito nisso.

E o que fizeram aqueles que trabalham com o tênis no nosso país? Quem chamou a responsabilidade para si e disse: vamos deixar nossas divergências de lado, vamos pensar mais no todo e menos no individual para aproveitar este momento em que o tênis brasileiro - ou melhor, este momento em que o Guga divulga o nome do Brasil no circuito mundial de tênis - para decidir o que queremos para o nosso esporte. Qual é a estrutura de formação, de descoberta de talentos, de intercâmbio, de profissionalismo que o tênis brasileiro deve ter? Nos clubes? Nas escolas? Nas academias? Nos centros de treinamentos? A cada um, uma etapa? Quem sabe um dia, essas respostas virão em uníssono, construídas a partir de diferentes posicionamentos.

É por isso que sempre me entusiasmo quando vejo que clubes tradicionais no tênis, como a Associação Leopoldina Juvenil e a Sociedade Aliança de Novo Hamburgo, começam a temporada de 2008 predispostos a focar na base, na formação. Não há nenhuma mágica: quanto mais meninos e meninas em quadra, maior serão as possibilidades de garimpar os que apresentam potencial para ir adiante. É por isso que sempre aplaudo os trabalhos realizados de forma responsável junto aos jovens que estão se preparando para o profissionalismo.

Quanto ao Guga? Ele já presenteou os brasileiros com jogos emocionantes, lances inesquecíveis e carisma que só os grandes campeões têm. E nós, apaixonados por esporte, só temos que agradecer.

Cláudia Coutinho
Jornalista esportiva com especialização em marketing, integra a equipe do Tênis Show.
 
   
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